Data de Publicação: 13 de outubro de 2008
Como os jovens são inseridos nas publicações atuais? Existem revistas, jornais ou programas que se preocupam única e exclusivamente com o universo juvenil?
Estas foram algumas indagações que pontuaram o debate na Arena da Juventude, na manhã desta segunda, na 2ª Feira do Livro de São Luís, promovida pela Prefeitura por meio da Fundação Municipal de Cultura.
Participaram da conversa alunos de escolas públicas, Immaculada Prieto (Oficial de Comunicação da UNICEF no Maranhão), Ana Paula Bouéri (editora da revista COR da ONG Formação), Lissandra Leite (da Agência Matraca), Ana Paula Sousa (do prêmio Jovem Escritor), os estudantes Raissa Padilha, Cleilda Santos e Sidney Silva.
Durante o bate papo os jovens puderam falar de suas experiências literárias, o que costumam escrever e se gostam que outras pessoas leiam o que escrevem. “A gente percebe que muitos gostam de escrever, porém não se sentem à vontade em mostrar seus textos, seja por timidez, ou por achar que ninguém irá se interessar pelo que pensam, já que eles têm pouco acesso a publicações voltadas para eles”, avalia Immaculada.
Existem muitas revistas direcionadas ao público adolescente, porém são poucas as que permitem que sejam produzidas pelo jovem. “Geralmente são adultos falando para os jovens, o que deixa os textos um pouco estranhos para a gente. Nós não nos identificamos com eles”, afirma Raíssa Padilha, que faz parte da revista COR, editada pela ONG Formação e participante do projeto. “Nasci e cresci com o ECA” da UNICEF em conjunto com a Agência Matraca. O projeto tem como objetivo publicar histórias de vida de jovens que nasceram no mesmo ano do Estatuto da Criança e do Adolescente. De acordo com Immaculada “o livro será lançado em novembro em São Luís e terá textos de 18 jovens”.
O projeto do UNICEF é um exemplo de publicações voltadas e feitas pelos jovens. No Maranhão há vários projetos destinados ao segmento jovem. “Coragem, Organização e Realização”, popularmente conhecida como revista Cor, é uma publicação da ONG Formação. A revista circula em nove municípios da baixada maranhense, mais Santa Inês e Belágua, além de circular também por outros estados brasileiros. “Preferimos direcionar a publicação nesta região por ser um local com baixo índice do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e onde a expectativa dos moradores é menor”, explica Raissa Padilha.
Paula Bouéri lembra que além da revista COR, a ONG Formação também trabalha com o projeto Livro Jovem Escritor. “Há três anos fazemos um concurso literário com estudantes da região da Baixada, mas pensamos em incluir São Luís neste ano, pois percebemos uma procura grande por alunos da capital”. Os classificados no concurso “Prêmio Jovem Escritor” têm seus textos publicados em um livro e podem, assim, ter mais estímulos para criação.
Foi o que aconteceu com Cleilda dos Santos, 23 anos, moradora de São Vicente de Férrer, na Baixada Maranhense. “Participei do primeiro concurso e fiquei em segundo lugar. Me senti mais incentivada a participar do próximo e consegui ser a vencedora. Agora o estímulo é maior para participar do terceiro. Tenho produzido muito desde então”. Cleilda escreve há nove e já tem 10 livros não publicados. “Sempre prestei muita atenção nos relatos dos vizinhos que costumam se reunir no fim do dia em frente às suas casas. Isso me serve de inspiração”, completa.
Projetos como esses mudam a vida dos jovens. É uma forma de eles se sentirem incluídos como cidadãos. Sidney Silva, da equipe da revista Viração afirma que ficou muito mais confiante desde que começou a participar do projeto. “Lembro que foi difícil no começo, mas com a ajuda da Agência Matraca recebemos oficinas que nos qualificaram para o desenvolvimento das matérias. Hoje sou mais confiante”, atesta.
<b>Fonte</b>: <i>Assessoria de Comunicação da 2ª Feira do Livro de São Luís</i>
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